quinta-feira, 8 de agosto de 2024

o vira batido

e vai um dia, vai outro dia

e vai mais um ainda,

e foram meses e anos,

uma vida inteira de sonhos

(levados na poeira do tempo)


e vai uma volta, vai outra volta

e vai mais uma ainda,

e foi uma roda inteira

nas voltas do carrocel

(de que a vida feita é)


corres a eito um caminho

e tropeças na encruzilhada,

às vezes ficas em vão caído

sem vontade de seguir

(e na mente obscuras nuvens)


ergues o olhar no horizonte,

tão longe que parece estar,

mas vês a esperança num dia

de alimentar essa utopia

(quiçá consigas a volta voltar a dar)


quantas vezes deste o pão

e ficaste com as migalhas,

mas vem lá mais um dia

e mais uma volta a dar

            (para trás ficou o sal)


            (e entras na roda outra vez)

            (e danças, e danças corrido)

            (tens mais um dia, e outros mais)

            (e tens ainda tantas voltas a dar)


(Adriano Costa – 08/08/2024)






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