Uma vida que vai,
indo sem
parar
ou ilusões
sonhar,
num lamento
que já não há,
dum tempo
que já não existe
para
amarguras ou suspiros.
Tormentos
não vistos,
ou encontrados
no meio
duma chuva
que não cai.
Só o calor
tórrido e seco
das nuvens
que não se vêm,
dos ventos
que não sopram.
Meu corpo
vive
a vida que
se não vive.
O sentir só,
de nenhum sentir.
o amar, de
nada ter para amar.
O correr
pela estrada fora
sentido apenas
o contravento.
Pela brisa
brejeira do sonho
e no calor
da noite te perder,
irás embora
e começarei de novo.
Serei apenas
nada, do nada que ficou,
do muito que
poderia ser
se algo pudéssemos
ter sido.
(Adriano
Costa, Julho / 1984)

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