quarta-feira, 9 de outubro de 2024

MADRUGADAS

Uma vida que vai,

indo sem parar

ou ilusões sonhar,

num lamento que já não há,

dum tempo que já não existe

para amarguras ou suspiros.

 

Tormentos não vistos,

ou encontrados no meio

duma chuva que não cai.

Só o calor tórrido e seco

das nuvens que não se vêm,

dos ventos que não sopram.

 

Meu corpo vive

a vida que se não vive.

O sentir só, de nenhum sentir.

o amar, de nada ter para amar.

O correr pela estrada fora

sentido apenas o contravento.

 

Pela brisa brejeira do sonho

e no calor da noite te perder,

irás embora e começarei de novo.

Serei apenas nada, do nada que ficou,

do muito que poderia ser

se algo pudéssemos ter sido.

 

(Adriano Costa, Julho / 1984)






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