Amigo,
nunca digas
que
finalmente és
livre.
Quando a
liberdade
se nos parece
mais livre
que antes
logo novos
grilhões
te hão de
prender
e sentirás
na carne
a dor de te
sentires traído.
Quando o
azul da claridade
te aparecer
diante dos olhos,
será fraca a
luz da verdade.
O trono da “sabedoria”
é invejado e
aliciante,
decerto que
não pelos sacrifícios
pois as
promessas
e desejos de
antes
são
esquecimentos e delícias
quando se
sente depois
o conforto
da cadeira
brilhante do poder.
É fácil
dizer-te que és livre,
mas ainda é
mais fácil
lançar-te na
confusão
e
aprisionar-te no mundo das trevas.
A tua
liberdade
é uma emoção
pouco extensa
porque a
cruel realidade
é a certeza
do teu fim,
só quando lá
chegares
podes ter
uma certeza.
Só então,
poderás enfim ser livre
Por todo o
tempo e todo o espaço.
Mas mesmo
assim
não poderás
gritar,
nem alto
baixo
que és livre
finalmente,
porque nesse
fim,
já nada poderá
fazer-te ouvir.
10/10/1974

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