quarta-feira, 14 de março de 2012

DOCE SUSSURRAR

13-03-2012

Há noites inesperadas
que num toque de repente
levam música e magia.
Claro que tinhas de ser tu,
doce querubim azul
vinda p’las asas celestes,
a trazer essa nuvem encantada,
tornando o que seria trivial,
numa formosa noite de alegria.
Tocam trompetes e clarinetes,
acordam acordes de saxofone,
o piano toca em sintonia
canta o moço expedito
canções de nossa memória.
Sussurras-me ao ouvido
coisas simples e correntes,
mas esse teu meigo ciciar,
são odes de um lírico canto;
não importam os dizeres,
se é a cor dos ténis do artista,
se daquele par que dança,
ou da festa da companhia
que a teu lado sonolenta,
vive a noite do seu dia.
Teus sussuros me encantam
na simplicidade natural
daquele jeito do teu gesto,
tão teu tão autêntico,
num riso pequenino e travesso
que teus olhos transmitem.
Sim,
são música nos meus ouvidos,
são rosas no meu jardim,
que tua doce e suave voz
fica em mim gravada.
Ouço-a sempre que quero,
seja no meu pensamento,
ou naquele teu cantarolar
que me eleva ao sétimo céu.
Ah teus sussurros parecem
o cucurrucuco de uma pomba,
que eu todo emproado,
embevecido  vou escutando.
O corpo mexe e remexe,
os dedos vão tamborilando,
numa libertação imensa
que em mim adormecida vivia.
Já assim nasci lá no meio da sanzala,
mas foste tu a despertá-la,
para todo este contentamento,
para toda esta fortuna.
Que suspiro que ternura
navego nesse mar pacífico
de teu doce sussurrar,
dá-me mais de beber,
dessa água pura e cristalina,
desse elixir dos deuses
que dum xafariz jorra e sacia.


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