1988
Mãe,
onde estás
que não te ouço,
nem consigo
ver tuas mãos.
Sinto surdez,
embora ouça,
parece que lá longe,
um rimbombar perto
de mil trovoadas.
Sinto-me cego,
embora veja
em clarões enormes,
mil cogumelos
subindo nos céus.
Não vejo nada.
Só sinto um fogo,
que queima
em meu redor
e dentro de mim.
Custa-me respirar.
Acorda-me, mãe,
não gosto deste sonho.
Mas dói-me,
já não estou a dormir.
Mãezinha,
onde estás,
não te vejo.
Só acordei agora,
dá-me a tua mão......
Não me deixes só!...

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