22-03-2012
Os ais que me escapam,
não são queixas nem lamentos,
são suspiros de amor e afectos
que em mim vivem e permanecem,
que em mim vivem e permanecem,
que sem dar conta esvoaçam,
por entre suspensos alentos.
São claras em castelo,
feito de sonhos e desejos,
que docemente se batem.
Não de areia que se desfaça,
num breve romper da onda,
mas de forte argamassa,
esculpida pela mão terna,
que se abre e se estende.
Não de areia que se desfaça,
num breve romper da onda,
mas de forte argamassa,
esculpida pela mão terna,
que se abre e se estende.
Em criança me lembro,
de queixumes e desalentos,
de outro ser querido,
das muitas dores passadas,
por de noite, lá longe, se levantar,
dos pés na água que acudiam,
à súbita fúria do vento,
movendo as pás do moinho,
era de aproveitar o momento,
no moer constante da farinha,
transformada em pão e sustento.
Esses ais doridos e sofridos,
ficaram-me na memória,
e seu exemplo me ficou,
de querer dar e lutar,
por tão bem querer e amar,
não para mim simplesmente,
mas pelos que são hoje e amanhã,
meu sonho e meu sentido,
sentido de vida e de amor.
Sim minha vida,
minha musa celestial,
um ponto algures no universo,
um ponto algures no universo,
são suspiros apenas,
sorridentes e serenos,
escutando teu riso e teu cantar,
de tua imagem me aflorar
em meu doce pensamento;
e todo este meu contentamento,
são como farófias que escorrem,
dentro de mim como mel,
delicioso e de fogoso sabor,
são rosas sim senhora,
são jasmins e são papoilas,
que a minha existência coloriram,
trazendo o ardente deleite,
ao meu jardim e meu paraíso.

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