06-03-2012
De falinhas mansas ou estridentes,
de fraque e cartola
ou farda de jardineira e boina,
com palavras doces ou arrogantes,
doutos ou ignorantes,
gestores ou sem provas dadas,
eles vendem sonhos e promessas,
quimeras e ilusões
de vida próspera e segura,
em troca de créditos e investimentos,
a gente pobre de bens
de espírito crente e obediente,
que não tomando pela mão o seu rumo,
esperam sempre por um D. Sebastião,
que envolto surja do nevoeiro,
que torne azul seu cinzento presente
e um vislumbre do seu futuro,
que se torne afinal, sua mão seu guia.
Há sempre alguém que não resiste
a usar seu expediente,
juntando á sua volta outros que tais,
pacientes e mais experientes,
que sabendo como ninguém
o culto das massas e quejandos,
os utiliza e manobra,
manipulando as palavras,
que carentes de melhor condição
vão acreditando e aclamando
e ignorando os ocultos desígnios,
vão depositando e votando,
toda a sua confiança,
todo o seu esforço e suor,
esculpindo a sua própria urna.
Quais vendilhões de templos,
como um Mandarim Chinês,
esperam pacientemente
de olhar ganancioso,
que a carne se vá decompondo,
de tanta labuta e sofrimento,
de tanto querer fazer,
e como abutres em vôo atacam
em bandos organizados,
prontos a desfrutar dos restos
que das sobras de milhões
num imenso pasto se torna.
Até quando a alma resiste?
Do nada tudo pode surgir,
do desepero o grito de revolta,
da fome a força e garra
de amassar e agarrar o duro pão.

Quem não sente alguma revolta e mágoa perante dada a vendedores de banha da cobra, perante a demagogia e o populismo de alguns senhores tomam de assalto a credulidade e ingenuidade...
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